Cartas à Cecília

Obsessões virtuosas e os campos de trigo — Cartas à Cecília #02

Campo de trigo com ceifeiro (1889 - 1889), de Vincent van Gogh

No momento, o seu gosto musical é basicamente pautado pelo meu. E digo que há músicas que você gosta muito mais que eu. MUITO MAIS. Há pouco tempo, você vivia me pedindo a tal da “música da montanha” — The Mtn. Song, de Rayland Baxter (2012) — em várias ocasiões: para pintar, brincar, dormir. Eu cheguei a fugir dessa música, de tanto ouvi-la. Tirei um sabático do álbum inteiro e, quando me pedia, tentava te convencer a escolher outra. Nem sempre funcionava. Juntos, ouvimos a “música da montanha” ad nauseam.

Cartas à Cecília

O custo de pertencer — Cartas à Cecília #01

Detalhe de Nighthawks (1942), de Edward Hopper

Pertencer é preciso! (?) Mas dá um trabalhão danado, pois pertencemos um bocado e outro tanto não. Pertencer é ser mais forte e mais vulnerável, tudo ao mesmo tempo. O bando nos protege de outros bandos enquanto nos esmaga, dentro de nossas próprias fronteiras. O custo é alto, as exigências são várias e até irrazoáveis, muitas vezes. Num sentido macro, pergunto: como pertencer a uma terra devastada e/ou desolada? “Abril é o mais cruel dos meses” … Não! Não é ao poema de Eliot (1922) que me refiro desta vez.