Crônica, Texto

A terra brasil, o sacerdote de preto e a profanação do deus da democracia

Nicolas-Antoine Taunay, Le triomphe de la guillotine (1795-1799)

Trabalho de história: memórias dos nossos pais
Aluno(a): Cassandra Vates – 7º ano A – Escola Vida Nova
Professora: Aline Cinturinha

Meus pais contam que saíram de certo lugar que era perigoso para se viver. O nome dessa terra se dava, dizem, por causa de uma árvore cuja madeira tinha cor de brasa. A região em que meus pais moravam era muito, muito quente, como a brasa, realmente brasil. O trabalho que meu pai tinha por lá é complicado de explicar, preciso entender melhor, mas ele passava o dia pensando, lendo e escrevendo, e recebia por isso. Mas alguns achavam isso uma ameaça gigante.

Ensaio, Texto

Logos X Legos: a guerra poética que a direita inculta não percebe 

Este é um assunto complicado, do qual pretendia falar há cerca de dois anos, mas sempre temi ser mal compreendido — normal para um poeta na modernidade —, taxado de arrogante e coisas do tipo. Mas, como num lampejo de obviedade, percebi que, quando o assunto é cultura, a taxa de leitores cai, e quando se trata de compreensão, os números descem ainda mais.

Crônica, Texto

O Brasil não tem povo 

Num arroubo poético, em 1922, Lima Barreto afirmou que “o Brasil não tem povo, tem público”. A frase estava inserida num contexto futebolesco, mas acima de tudo, num espírito brasileiresco, país do futebol (e do carnaval).

Crônica, Texto

Não basta ser louco, tem que parecer louco

Visions of quixote, 1989 - Octavio Ocampo

Na crônica de ontem falei sobre a “domquixotelização” dos progressistas, seres que muito leram fantasias ideológicas até o ponto de viverem delas, em completa loucura, combatendo gigantes que não passam de moinhos de vento.

Crônica, Texto

A domquixotelização dos frágeis

Wilhelm Marstrand, Don Quixote og Sancho Panza ved en skillevej, u.å. (efter 1847)

Dom Quixote de Cervantes deixou de ser um personagem de um clássico e foi elevado à figura de uma espécie de “folclore global”. Comumente é conhecido como um personagem louco, que de tanto ler novelas de cavalaria acabou criando um universo paralelo, uma fantasia, com donzela a defender, gigantes para vencer e até um arqui-inimigo feiticeiro, o Frestão.

Poesia

Mentalidade vermelha

Eugène Delacroix [La Liberté guidant le peuple], 1830 (Detalhe)

Oh, Mentalidade vermelha
Que com foices abrem crânios
E com martelos esmagam a massa cinzenta
Esmagam a massa…
E cinza é o seu futuro
Ego non sum
Não me associo a eles