Poesia

Mentalidade vermelha

Eugène Delacroix [La Liberté guidant le peuple], 1830 (Detalhe)

Oh, Mentalidade vermelha
Que com foices abrem crânios
E com martelos esmagam a massa cinzenta
Esmagam a massa…
E cinza é o seu futuro
Non ego sum
Não me associo a eles

Não suporto a histeria
De bandeiras tristes e falsas
Nas praças
Ah, essas praças…
Sempre tão cheias deles…
Não têm muito o que fazer?

Cansei-me das queixas tristes
De artistas tristes
Que idealizam um mundo melhor
Que preguiça desses “mundos melhores”
Cansei-me deles
Et omnia vanitas

Dizem amar os pandas
Dizem amar as mulheres,
E os homens que se dizem mulheres
E o trabalhador
O empregado
O proletariado
O homem de cor
E a cor do homem
E ao bandido
E a vítima do bandido
Ao bandido que é vítima
E aquele que é
E ao mundo
E a humanidade…
Mentirosos, não amam nem suas mães
Que se envergonham de suas paixões

Oh mentalidade vermelha
Rubra, carmesim, escarlate…
Como muito é o sangue que derramaste
Non ego sum
Non ego sum

Anderson C. Sandes — Outubro de 2017

Publicado por Anderson C. Sandes

Poeta, cronista, ensaísta, autor de Baseado em Fardos Reais; Arte e Guerra Cultural: preparação para tempos de crise; organizador da Antologia Quando Tudo Transborda. Pedagogo. Vivo de poesia pra não morrer de razão.

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