Poesia

Das memórias que perdi

Rembrandt. Study of an Old Man in Profile (1630)

Quem seria eu agora,
sem saber quem fora em outrora?
Se dantes fui moço,
tento debalde recordar das paixões…
[…] oxalá! Que eu tenha tido, meu Deus!

Fito as pinturas nas paredes,
sem saber se as amava ou as detestava.
Oh, como é bela aquela tela,
que eu achava antes dela?
Nem sei mesmo quem a pintou.

Folheio fotos rotas,
de estranhas e estranhos.
— Este é fulano!
Diz-me uma voz estranha.
Indigno-me ao estranhar.

Ah, que saudade de quem fui!
Devo ter sido importante pra mim!
Disso sei, saberia se não fosse.
E quanto a esta que me cuida?
Seria importante assim também?

Recordo de pratos que adorava,
mas não lembro o sabor…
Havia um envolvido de. . . de. . .
[…] De tristeza, de dor…
(Eis que agora me enojam)

Tal qual esses mancebos,
que me tratam como mais jovens que eles…
Quiçá novo eu seja, pois de tudo me esqueci;
não consigo mais me achar,
não sei onde me perdi.

Anderson C. Sandes — Abril de 2018

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