Sobre Poesia

Tradição e Talento Individual — T. S. Eliot

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— I —

Nos textos ingleses é raro falarmos de tradição, embora ocasionalmente utilizemos essa palavra para lamentar a sua ausência. Não sabemos nos referir à “tradição” ou a “uma tradição”; quando muito, empregamos o adjetivo para dizer que a poesia de fulano é “tradicional” ou mesmo “muito tradicional”. A palavra só ocorre talvez raramente, exceto numa frase de censura. Ao contrário, ela é vagamente aprobatória, se envolver, como no caso de um trabalho reconhecido, alguma deleitosa reconstrução arqueológica. É difícil tomarmos a palavra agradável aos ouvidos ingleses sem essa cômoda referência à tranquilizadora ciência da arqueologia.

Sobre Poesia

Poesia e Metafísica — Maria Zambrano

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Apresentação: Dos filósofos alguns há que têm o olhar raso, laminador, e tentam reduzir tudo a simples superfície, às dimensões estritas por eles consideradas admissíveis. O que não se ajusta nem cabe na sua arbitrária fórmula do real pressupõe-se, por uma espécie de dictatus voluntarista, que não existe, que não tem relevância, que é fictício, espúrio ou sem valor. Pretendem ser exactos, mas é provável que, com frequência, apenas se lhes obscureça e escape a densidade, a riqueza, a convolução misteriosa do universo físico ou humano nos seus pressupostos mais fundos e nos seus acenos mais discretos e insinuantes.

Sobre Poesia

Poesia e Filosofia — Olavo de Carvalho

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Apostilas do Seminário de Filosofia — 21

Excerto do § 1 do Prólogo da obra em preparação, O Olho do Sol: Ensaio sobre a Inteligência. Como certas discussões havidas em classe na última rodada do Seminário de Filosofia mencionassem este texto, do qual a maioria dos alunos não possuia cópia, decidi colocá-lo aqui à disposição de todos os visitantes desta homepage. O Olho do Sol é um calhamaço, a esta altura com seiscentas páginas e ainda bem longe de sua conclusão, onde reúno, ordeno e explico melhor (espero) as coisas que vim lecionando nos últimos anos sobre teoria do conhecimento. — O. de C.

Sobre Poesia

Poesia e Ideologia — Otto Maria Carpeaux

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Devo ao meu amigo José de Queiroz Lima a sugestão de aplicar à relação entre poesia e ideologia o resultado da leitura do livro Practical Criticism, da autoria do eminente crítico inglês I. A. Richards. Era uma leitura dificílima: um estudo muito técnico, baseado em documentação imensa, e que ficou — o próprio livro — no estado de documentação. Contudo, valia a pena: é talvez o primeiro livro rigorosamente científico sobre poesia. Vale a pena abrir as brenhas compactas dessas investigações psicológico-pedagógico-estéticas, reunindo-as a outros resultados, alheios e próprios, extraindo-Ihes uma doutrina. Vamos ver, então, que a poesia mais velha e a poesia mais moderna, igualmente, não se compreendem sem o conhecimento das ligações íntimas entre poesia e ideologia. Vamos ver, então, que o estudo de I. A. Richards é um dos livros mais espantosos que existem: um livro que abre novos horizontes ao mundo de luz da poesia, que abre novos horizontes ao mundo noturno da humanidade.

Sobre Poesia

Do Épico e do Lírico — Massaud Moisés

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— I —

Preliminares. As artes poéticas, as teorias literárias, as retóricas tradicionais têm insistido num ponto que está a merecer cuidadoso reexame. Trata-se do conceito de poesia lírica e poesia épica, e suas diferenças fundamentais. Comecemos por entender que a palavra lírica deriva de lira. Os poetas gregos, e depois os latinos, recitavam e cantavam suas composições ao som desse instrumento, que se prestava perfeitamente como acompanhamento e pano de fundo musical. O poeta exprimia seu mundo “subjetivo, interior, os sentimentos, as contemplações e as emoções da alma”, como diz Hegel em seu Curso de Estética (3ª parte, 3.a secção, “Poesia”, Cap. Ill, Das diferentes espécies de Poesia). Com o tempo, a lira (ou qualquer outro instrumento que veio a ser usado: alaúde, flauta) foi posta de lado. Apoesia passou apenas a ser recitada, nos fins da Idade Média. Entretanto, o caráter musical permaneceu, embora transformado e atenuado. Seu conteúdo manteve-se aquele dos começos, e ainda hoje a poesia lírica se diferencia por ser subjetiva, traduzindo emoções e sentimentos íntimos do poeta.

Poesia

O velho Emílio

Johann Carl Loth [Diogenes], século XVII (Detalhe)

In memoriam de Emílio Cordeiro de Lima

Jaz a lua minguante
Sobre a serena garoa
Que pega fúria
Horas depois da viração

Fichamentos e Resenhas

A Arte de Ler — Mortimer J. Adler

Mortimer Jerome Adler (Nova Iorque, 28 de dezembro de 1902 — Palo Alto, 28 de junho de 2001) foi um filósofo americano, educador e autor popular. Como filósofo, ele trabalhou dentro das tradições aristotélica e tomista. Ele viveu por longos períodos na cidade de Nova York, Chicago, São Francisco e San Mateo, Califórnia.[1] Trabalhou na Universidade de Columbia, na Universidade de Chicago, na Encyclopædia Britannica e no Instituto de Pesquisa Filosófica de Adler.

Fichamentos e Resenhas

O Critério — Jaime Balmes

El Critério — O Critério: A obra é uma sistematização de conselhos e critérios para alcançar a verdade. Trata de desde a definição de conceitos como “pensar bem”, “atenção”, passando por descobrimento de objetos, das pessoas, do caráter de outrem, de si mesmo, formas para julgar veracidade de testemunhos, etc.

Jaime Luciano Antonio Balmes y Urpiá (28 de agosto de 1810 — Barcelona, 9 de julho de 1848), foi um filósofo e teólogo espanhol. Foi também apologista, sociólogo, político. É considerado uma das personalidades mais interessantes da Espanha da primeira metade do século XIX. Embora familiarizado a doutrina de Tomás de Aquino, é um filósofo original, sem pertencer a nenhuma escola.