Poesia

Houve-te

Permita-me a mim te dizer
Que antes de tu(do) veio a luz
E assim foi, p’ra que eu pudesse te ver.

A ti foi dado odor de poesia
Uma beleza primaveral
E um toque de canções.

Poesia

É sempre meia noite por aí

GOGH, Vincent van. Starry Night over the Rhône (1888)

Por aqui é meia-noite
Mas é meio-dia na lua
Pobres lunáticos, não têm uma sombra de árvore pra descansar.
Talvez por isso repousem nas trevas.

Poesia

Oh, tímida

FRAGONARD, Jean-Honoré. A Young Girl Reading (1770)

Vejo-te sorrir olhando p’ra terra
Será de timidez que olhas o chão?
As nuvens acima e o solo em guerra 
O que está mais próximo ao teu coração?

Livro, Poesia

Livro “Baseado em fardos reais”

Que descansa em paz? Não, querido leitor, eu não estou morto. Quem vos escreve não é um espectro branco e perturbado, é um poeta amarelo, que descansa em paz.

Reparou na belíssima capa? Tem como fundo a obra La Siesta, de Van Gogh, pintor sobre qual Mário Quintana reflete: Se não fosse o Van Gogh, o que seria do amarelo? Veio bem a calhar, uma obra de Van Gogh adornando a obra de um poeta amarelo, envelhecido.

Infantil, Texto

A coisa mais bela do mundo

Em elucubrações com meu amigo Gil Silva surgiu este texto. Discutíamos sobre qual seria a coisa mais bela desde mundo no âmbito secular e do conhecido. A conclusão a que chegamos seria que, sem palavras, nada seria tão belo assim. Portanto, de modo quiça inocente, concluímos por fim, que a coisa mais bela do mundo seriam as palavras. Para um poeta, foi uma agradável conclusão.

Poesia

Quatro notas

Poema dedicado a Tailan Cavalcante, que descansa em paz. Durante à noite, estávamos juntos entre outros, a cantar ao som de um violão; durante o dia, estávamos todos em volta de seu pálido caixão. Faleceu enquanto dormia. Tive a oportunidade de recitar um poema — que já não tenho mais — em sua missa de sétimo dia. Mesmo num momento de muita tristeza, a sua memória nos alegrava. A poesia eternaliza.

Poesia

O que há

O que há entre o terno e o eterno?
Nem nó de gravata, nem paraíso!
Nem cerimônias, nem juízo.
Fartura ou pureza…
Vaidade ou nobreza.

Música, Poesia

No meio do sonho

Música composta em novembro de 2013. Traz como principais temas: lembranças da infância, conflito por descoberta da vocação, ansiedade quanto ao futuro. A música é basicamente um diálogo com o Criador, onde o eu lírico clama por soluções. A voz no áudio é de meu grande amigo Gil Silva.

Poesia

Hoje velho

Um poema sobre a velhice. Uma velhice repleta na esperança de um salvador que preparou um lugar para aqueles que creem. — Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também. [João 14: 1-3]

Crônica, Infantil

O menino do picolé

“Olha o picolé!”… gritava o menino incansavelmente. Passava todas as semanas naquela rua com seu carrinho de sorvetes. Sempre gritando: Olha o picolé! Todos o conheciam, mas ninguém sabia seu nome, nem de onde vinha, mas sua voz era inconfundível ao gritar: Olha o picolé! A garotada, porém, o chamava de um nome, nome este que não era o seu, mas era assim que o chamavam: o menino do picolé.